Opulentos e exuberantes, ao entrarem no nosso campo de visão, os Corações Flamejantes parecem pulsar desmesuradamente com os seus vários tons de vermelho, fúcsia e roxo. As suas artérias tentaculares invadem o espaço do observador, contaminando a arquitetura envolvente, num exercício em que o edifício se transforma num organismo vivo. As luzes LED embutidas na peça, que pulsam ao ritmo dos batimentos cardíacos humanos, aumentam exponencialmente o pulsar deste corpo metamórfico que gravita com imponência.
Fiel ao vocabulário visual de Joana Vasconcelos - cobertos de lantejoulas brilhantes e adornados com orlas coloridas, elementos amorfos de croché e tecidos minuciosamente bordados - a série Corações Flamejantes, constituída pelas peças Flaming Heart, La Pasionaria e Sacro Cuore, exibe abundantemente uma diversidade de texturas e uma riqueza de pormenores que aludem às técnicas artesanais tradicionalmente femininas.
Flaming Heart (2019-2022) é uma instalação site-specific, concebida para interagir com o claustro do século XVI da Igreja de Santa Caterina a Formiello. Esta ligação torna-se mais clara ao sabermos que o rei de Nápoles, Fernando I (1751-1825), transformou o espaço numa próspera fábrica de lanifícios. 'Flaming Heart' está agora suspenso numa maravilhosa treliça de madeira que serviu para a secagem da lã no passado. Este raro exemplo da arquitetura renascentista napolitana e industrial, que funcionou até ao final da segunda fase da unificação italiana (1861), é agora parte integrante da Fondazione Made in Cloister, que o restaurou e reconverteu, transformando o monumento histórico num inovador centro de exposições da cidade. Um novo sopro de vida que permite à arte contemporânea brilhar.





Obras


















