L’art de la Table é um garfo monumental cravado no solo, construído a partir de pratos de cerâmica. O seu título remete para as regras de etiqueta à mesa: um complexo conjunto de rituais em torno da hospitalidade, das convenções sociais e da coreografia dos espaços domésticos. Associados ao estatuto, ao requinte e ao luxo, estes rituais moldaram, ao longo dos séculos, as relações entre os objetos, os corpos e as hierarquias estabelecidas à mesa. Tradicionalmente, o prato ocupa a posição central: é o palco onde a refeição se desenrola, enquanto o garfo e a faca desempenham apenas uma função instrumental. Nesta obra, porém, essa hierarquia é subvertida. O garfo assume o protagonismo, enquanto os pratos são reduzidos a matéria constituinte. Esta inversão opera como uma forma de détournement, desestabilizando a lógica expectável dos objetos e questionando a sua função cultural. Despojado da sua função doméstica habitual, o garfo adquire uma presença monumental, quase ameaçadora. Retirado do seu contexto utilitário, surge simultaneamente absurdo e agressivo, aproximando-se mais de uma arma do que de um utensílio de mesa. A obra afirma-se, assim, como um gesto invasivo que revela a violência latente sob os rituais do requinte e das «boas maneiras». Obra criada com o apoio da Vista Alegre.


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